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Por G1 GO

Ana Luísa, de 9 anos, perguntou à mãe, em carta, se realmente não existia "princesa negra" | Foto: Luciana Cardoso/Arquivo Pessoal

Ana Luísa, de 9 anos, perguntou à mãe, em carta, se realmente não existia “princesa negra” | Foto: Luciana Cardoso/Arquivo Pessoal

A estudante Ana Luísa Cardoso Silva, de 9 anos, escreveu uma carta para a mãe cinco dias depois de ouvir de uma mulher que “não existe princesa preta”, enquanto brincava com outra criança no Parque Ipiranga, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. No texto, ela afirma que ama a Elsa, personagem do filme Frozen.

“Mamãe, é verdade que não existe princesa preta? Eu fui brincar, a mulher falou. Fiquei triste e com medo de contar para você. Ela falou que não tinha princesa preta. Eu chorei, mamãe”, escreve a menina.
O caso aconteceu na tarde do dia 1º, durante um piquenique que a família resolveu fazer no parque. Na área reservada para crianças, a menina chamou outra garota para brincar de castelo e princesa. Foi quando, de acordo com Ana Luísa, que uma mulher loira, sentada num banco próximo à recreação, falou para ela que “não existe princesa preta”.

Segundo a menina contou à mãe, um homem que também estava no local disse à mulher para não se dirigir às crianças dessa forma. Logo em seguida, ela saiu do banco e sentou em outro lugar da praça.

Carta da Ana Luísa deixada em cima da cama para a mãe ler | Foto: Luciana Cardoso/Arquivo Pessoal

Carta da Ana Luísa deixada em cima da cama para a mãe ler | Foto: Luciana Cardoso/Arquivo Pessoal

Carta
A criança só escreveu a carta no domingo (5). Ela deixou o bilhete em cima da cama para que a mãe, a humorista Luciana Cristina Cardoso, de 42 anos, pudesse ler.

“Notei que ela estava triste desde aquele dia, mas não quis me contar. Quando eu li a carta, chorei muito. Ela é criança e não entende ainda”, relata a mãe.
Sobre as paixões da filha, Luciana relata que roteiros infantis de princesas são os preferidos. “Ela gosta muito de assistir filmes com essa temática”, conta.

Desde o episódio, a humorista relata que a menina não quer voltar ao parque, onde gostava de brincar e comer pipoca.

A mãe de Ana Luísa afirma que vai registrar um boletim de ocorrência pelo ato de racismo praticado contra a filha. Até a publicação desta reportagem, ela não soube informar quem é a mulher que conversou com a filha no parque.