
A trajetória de Nega Lu no esporte e no trabalho social em Santaluz, na região sisaleira da Bahia, virou tema de uma pesquisa acadêmica apresentada no 22º Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), promovido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.
O trabalho “Narrativas de uma mulher negra no esporte: trajetórias, desafios e impacto social em Santaluz-BA” é da estudante do 5º semestre de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus VII, Edla Lopes de Matos, sob orientação da professora mestra Dandara Matos. A pesquisa integrou a programação do Enecult na área de Cultura, Raça e Classe.
O estudo analisa a trajetória de Luciana Conceição dos Santos, conhecida como Nega Lu, mulher negra, desportista, coordenadora de projeto social de handebol e ativista LGBTQIAPN+. O objetivo é compreender os desafios enfrentados por ela no esporte e os impactos de sua atuação na vida de crianças e jovens de Santaluz.
A pesquisa foi desenvolvida como estudo de caso, com entrevista e análise documental. O trabalho destaca uma trajetória marcada por preconceitos, resistência e protagonismo e aborda a atuação do Santaluz Handebol Clube, projeto que, segundo o estudo, existe há 30 anos e atende cerca de 150 participantes.
A análise aponta impactos na disciplina, nos estudos, nos vínculos familiares, na inclusão e no afastamento de crianças e jovens de situações de vulnerabilidade. O estudo também registra ausência de apoio financeiro do poder público.
Para Nega Lu, transformar sua trajetória em objeto de pesquisa também amplia a visibilidade do trabalho desenvolvido ao longo dos anos em Santaluz.
“Para mim, é muito importante ver a minha trajetória, construída ao longo de tantos anos através do esporte e do trabalho social em Santaluz, se transformar em objeto de pesquisa e chegar a um espaço como o Enecult. Fico muito feliz porque esse reconhecimento também mostra a importância do trabalho que desenvolvo com crianças e jovens e do esporte como espaço de acolhimento, inclusão e transformação social”, afirmou.
“Também me sinto representada nesse trabalho enquanto mulher negra, desportista e ativista LGBTQIAPN+. Segundo as informações que recebi, foram 32 trabalhos enviados, 22 selecionados e 14 apresentados. Saber que um trabalho que conta parte da minha história e mostra o que venho construindo em Santaluz esteve entre os apresentados torna esse momento ainda mais especial para mim”, disse Nega Lu.
Nas considerações finais, a pesquisa aponta que o esporte ultrapassa a dimensão técnica e competitiva e pode funcionar como espaço de resistência, acolhimento, inclusão e formação cidadã. O trabalho relaciona a trajetória de Nega Lu ao fortalecimento de vínculos e à criação de novas perspectivas para crianças e jovens.