
Só 1 em cada 4 pessoas com deficiência (PCDs) em idade de trabalhar na Bahia estava ocupada em 2022, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (18) pelo IBGE. O levantamento mostra que 25,2% dessa população trabalhava, ante 49,2% entre as pessoas sem deficiência. A desigualdade também aparece na renda: o rendimento domiciliar por pessoa entre as PCDs era 9,6% menor.
Ao todo, cerca de 262 mil PCDs estavam ocupadas, em atividades formais ou informais, entre aproximadamente 1,042 milhão de pessoas com deficiência de 14 anos ou mais no estado. No Brasil, o nível de ocupação das pessoas com deficiência era de 29%, acima dos 25,2% registrados na Bahia.
Considerando toda a população a partir dos 2 anos de idade, o Censo 2022 identificou 1.094.632 pessoas com deficiência na Bahia, o equivalente a 7,9% dos moradores nessa faixa etária.
Na renda, as PCDs viviam em domicílios com rendimento mensal médio de R$ 991 por pessoa, contra R$ 1.097 entre pessoas sem deficiência. No Brasil, a diferença era maior: 19,2%, com rendimentos de R$ 1.354 e R$ 1.677, respectivamente.
Os indicadores de educação também mostram desigualdade. Em 2022, 31,2% das pessoas com deficiência de 15 anos ou mais na Bahia não eram alfabetizadas, contra 9,8% entre aquelas sem deficiência. Entre a população com 25 anos ou mais, 70,1% das PCDs não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental, ante 41,4% das pessoas sem deficiência.
Na estrutura das escolas, os dados são mais recentes. Em 2025, 72,6% das escolas baianas tinham pelo menos um recurso de acessibilidade, abaixo da média nacional de 78,5%. Isso significa que 4.407 escolas no estado não contavam com nenhum dos nove recursos considerados no levantamento.
A situação é ainda mais restrita em relação aos banheiros acessíveis. Eles estavam presentes em 44,6% das escolas da Bahia, contra 57,6% no país. Em números absolutos, 8.916 escolas baianas não tinham banheiro acessível.
O estudo também analisou políticas adotadas pelos municípios. Em 2022, 21,5% das pessoas com deficiência na Bahia viviam em cidades que tinham fundo municipal voltado a essa população e desenvolviam ao menos uma ação de promoção de direitos. Já 31,4% moravam em municípios com garantia de passe livre no transporte coletivo, enquanto 6,3% estavam em cidades com legislação específica de acessibilidade em espaços públicos.