A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Repasse para cumprir mandados judiciais ligados a uma investigação sobre mineração ilegal de ouro em Santaluz, na Bahia. A ação é um desdobramento das operações Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, realizadas em 6 de junho de 2023, 17 de abril de 2024 e 26 de agosto de 2024, respectivamente.
Segundo a investigação, os suspeitos atuam há anos na extração ilegal de ouro na região de Santaluz e passaram a ampliar a atividade criminosa com a construção de laboratórios. Nesses locais, conforme a PF, eles recebiam e refinavam rejeitos de moagem produzidos por garimpeiros ilegais por meio de processo químico industrial.
De acordo com a polícia, o ouro era extraído do material por meio do processo de lixiviação, com o uso de grande quantidade de cianeto de sódio. A PF afirma que o uso irregular de cianeto de potássio ou cianeto de sódio, substâncias altamente tóxicas e com compra e utilização controladas pelo Ministério do Exército, pode provocar impactos graves à saúde humana e ao meio ambiente.
Relatórios periciais recentes apontam que o dano ambiental causado pelo grupo investigado supera R$ 180 milhões. Nesta fase da apuração, a operação cumpre dois mandados de busca e apreensão em Santaluz e tem como objetivo recolher e remover bens já sequestrados por decisão judicial, além de apreender, de forma incidental, outros materiais encontrados durante as diligências.
Os investigados foram indiciados pelos crimes de usurpação de bens da União, associação criminosa, posse de artefatos explosivos, extração ilegal de recursos minerais, uso e armazenamento ilícito de substância tóxica, perigosa e nociva, além de lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 29 anos de reclusão.