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Por G1 e TV Bahia

Foto: Reprodução / TV Bahia

A ambulante Davina Santana, conhecida como “Davinha”, se emocionou ao comemorar o retorno das atividades do comércio de rua, na manhã desta terça-feira (6), em Salvador.

“Eu amo o que faço, acordar cedo, estar aqui. Eu estava sentindo tanta falta disso aqui, você não tem ideia do que é acordar cedo e vir para a batalha”, disse a ambulante.

Moradora do bairro de Pernambués, Davina trabalha há 25 anos na Avenida Sete, vendendo produtos eletrônicos como rádio, fone, tripé, cabo pra celular, adaptador e suporte.

“Da primeira vez que paramos, o governo federal e a prefeitura deram suporte, mas mesmo assim é difícil. Eu tomo remédio de pressão e tenho que comprar, além de outros remédios. Tudo o que eu tenho vem da banquinha do centro da cidade”, disse.

Davina Santana mora com a filha, que tem 28 anos. A ambulante contou que durante a parada das atividades, ela passou mal duas vezes e precisou de atendimento em Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

“Minha pressão subiu de tanta preocupação, estresse. Fiz exames para Covid-19, deu negativo. Foi tudo ansiedade. eu moro num apartamento e pago o condomínio. consegui quitar, mas ainda não tive condições de colocar o imóvel no meu nome”, disse.

“Eu estava vivendo por conta das minhas filhas. Meus filhos é que assumiram as minhas dívidas quando eu não estive aqui”.

Normalmente, Davina vai até a Avenida Sete de metrô, mas na pandemia, ela passou a pagar R$ 26 por dia, para fazer o trajeto de ida e volta em um carro particular.

“Eu saio as 6 horas e chego as 7 horas, monto a banca e termino de montar as 10h30. É muita coisa pra colocar, eu higienizo tudo antes com álcool. Eu deixo tudo no caixote de madeira, o carregador leva para um deposito. quando eu chego aqui, o caixote já está aqui”, disse a ambulante.

Davina também revelou que paga R$ 80 por semana para guardar o material em um galpão e mais R$ 10 para um homem fazer a segurança da barraca dela.

Durante a entrevista, a ambulante sugeriu que pias fossem instaladas para que as pessoas higienizassem as mãos. Ela faz a higiene dos produtos com o álcool em gel.

“O nosso publico é aquele que passa pela Avenida Sete, que vai para o médico, que vai pagar uma luz, vai para o banco resolver, vai para lotérica”.

Segundo a Associação Integrada de Vendedores Ambulantes e Feirantes de Salvador (Assidivam), o centro da cidade tem 1.500 ambulantes cadastrados.

“Somos uma família de ambulantes. Hoje é um dia especial, um dia muito especial, estou muito emocionada. Como é que não fica emocionada? Gente, sem o nosso trabalho, o homem só é homem trabalhando. A gente perde o sono, não tem sono, não tem paz. A vida perde a graça, perde o sentido viver sem o trabalho”, desabafou.

“Eu espero em Deus que acabou esse negócio de não trabalhar. Conscientizando a população que precisamos nos cuidar”.