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Por France Presse

O presidente do Chile, Gabriel Boric | Foto: Esteban Felix/AP

O Estado do Chile fez na quinta-feira (26) um pedido público de desculpas a uma mulher que foi esterilizada sem consentimento, após dar à luz em um hospital público, por ser portadora do vírus HIV.

A mulher é conhecida como Francisca (sua verdadeira identidade é mantida em sigilo). Ela deu à luz em 2002, aos 20 anos, em um hospital público da cidade de Curicó, já com o diagnóstico de soropositiva. Durante a cesariana, foi esterilizada pelos médicos sem o seu consentimento.

“Começar pedindo desculpas a Francisca pela grave violação dos seus direitos e também pela negação de justiça e por todo o tempo que você teve que esperar por isso”, disse o presidente do Chile, o esquerdista Gabriel Boric, como representante do Estado, no ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional realizado no palácio presidencial de La Moneda.

“Quantas pessoas como você não conhecemos?”, questionou o presidente sobre casos de situações semelhantes de violência obstétrica e discriminação, que não vêm a público.

O caso de Francisca, que não esteve presente no ato de reparação, foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo Centro de Direitos Reprodutivos e Vivo Positivo em 2009, depois que o Estado não permitiu o seu acesso à Justiça nem a reparação por sua denúncia.

Em 2021, o Chile assinou o Acordo de Solução Pacífica, no qual assumiu sua responsabilidade internacional pela violação dos direitos humanos ocorrida nesse caso.

Carmen Martínez, do Centro de Direitos Reprodutivos dos Estados Unidos, leu uma carta de Francisca durante o ato: “Nós, portadores do HIV, continuamos sendo olhados com desprezo. Quero acreditar com convicção que isso mudará, que os erros do passado não voltarão a ser cometidos, que nenhuma mulher será esterilizada sem o seu consentimento.”

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