Folha de S. Paulo
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Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Em entrevista a veículos estrangeiros, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (19) que a defesa do impeachment feita pelo vice-presidente Michel Temer deve-se a uma tentativa de “encurtar caminho” diante da impossibilidade do grupo do peemedebista ser eleito em uma eleição direta. “A conspiração se dá pelo fato que a única forma de chegar ao poder no Brasil é utilizando de métodos, transformando e ocultando o fato que esse processo de impeachment é uma tentativa de eleição indireta, de um grupo que de outra forma não teria acesso pelo único meio justificável, que é o voto direto”, criticou. A petista ressaltou ainda que os defensores de seu afastamento “estão vendendo terreno na Lua”, em uma referência à promessa do peemedebista de manter programas sociais e às articulações para um novo governo. “As pessoas podem até dizer: ‘Se eu governar, vou manter os programas sociais’. Nós fizemos um ajuste muito forte, mas não fizemos ajuste para cortar programa social. Fizemos para preservar. Não posso querer atender apenas a um lado do país. E eu acredito que os que estão golpeando atendem a apenas um lado do país e estão vendendo terreno na Lua”, disse. Na entrevista, a petista disse que vai resistir até o fim do processo com “honra” e “dignidade” e voltou a criticar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo ela, o peemedebista acolheu o pedido de impeachment como “vingança” e na teoria do “quanto pior, melhor” para o país. “Ele tem um antecedente que não o abona como juiz de nada, mas como réu”, disse.