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Por g1 Campinas e Região

Beatriz Zanardo Brandolise ao lado de seu pai Márcio Brandolise | Foto: Arquivo pessoal

Já imaginou descobrir que passou em primeiro lugar na universidade dos seus sonhos no mesmo dia em que recebe a notícia de que seu pai está curado do câncer? As duas notícias foram recebidas por Beatriz Zanardo Brandolise, de 22 anos, que mora em Tietê (SP), e passou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Além da Unicamp, que era o sonho da jovem, Beatriz também passou em 1º lugar na Universidade de São Paulo (USP).

Aprovada em ciências econômicas em duas das maiores universidades do país, Beatriz conta que sua trajetória como vestibulanda foi um tanto quanto turbulenta. Ao final de 2022, primeiro ano em que a jovem estava na rotina intensa preparatória para os vestibulares, seu pai Márcio Brandolise, de 65 anos, foi diagnosticado com câncer de cólon.

A notícia pegou a jovem de surpresa. Em entrevista para o g1 ela conta que o diagnóstico chegou em um período de reta final para as provas naquele ano, e que, por estar abalada com o estado de saúde de seu pai, decidiu adiar a conquista da tão esperada vaga na faculdade, optando por não fazer a segunda fase dos vestibulares para qual havia prestado.

Por mais que naquele momento a estudante tenha sofrido com o impacto da notícia, a opção de desistir nunca foi cogitada. Beatriz preferiu encarar o desafio como motivação e em 2023, mais preparada, fez novamente as provas.

“Eu nunca pensei em desistir, porque além de meu pai estar doente ele não poderia ter o desgosto de ver eu abandonar tudo e desistir de estudar, principalmente desistir de fazer a Unicamp que sempre foi o meu objetivo. Depois do susto inicial, e com o passar do tempo ver ele se recuperando, tanto foi uma tranquilidade para eu prestar as provas, foi sempre um motivo para eu nunca desanimar”, afirma a estudante.

Momento das descobertas 😄

A descoberta chegou quando a jovem estava em uma clínica oncológica em Sorocaba (SP), acompanhando seu pai para receber o resultado dos exames que ele havia feito para saber se tinha se curado da doença.

Sobre tensão, o dia de Beatriz ficou marcado por dois importantes resultados, além de seu pai estar curado, ela havia sido aprovada em primeiro lugar na universidade de seus sonhos, a Unicamp. Para a estudante, o sentimento que definiu aquele momento de tanta euforia foi alívio, não apenas pela melhora no quadro de saúde de seu pai, mas também pela conquista da vaga.

“Eu nunca achei que meu pai fosse morrer ou que seu tratamento fosse dar errado, desde o primeiro dia eu tinha confiança de que iria dar certo, que ele iria ficar bem. Quando se está fazendo cursinho para vestibular parece que é uma coisa que nunca vai acabar, mas acaba e as coisas dão certo. Eu não esperava que eu iria passar em primeiro lugar nunca”, diz Beatriz.

Rede de apoio 🤝

No início de 2023, Márcio passou por duas cirurgias delicadas para realizar a remoção do tumor. o processo de recuperação exigiu cuidados e Beatriz teve que aprender a conciliar seus estudos com a atenção ao pai.

De acordo com a jovem, ter uma rede de apoio formada por seus pais e seus professores foi fundamental para que ela pudesse enfrentar todos os desafios do percurso até a aprovação.

“Minha família sempre me deu um apoio incondicional, deixavam com que eu escolhesse o que eu achava que seria bom para mim. Me acompanharam para eu prestar todas as provas, tudo o que eu precisei. Meus pais são meus grandes companheiros”, comenta Beatriz.

Durante a entrevista Beatriz também lembrou com carinho de duas professoras, Marcella Abboud e Thaís Guizellini, que, segundo ela, foram peças fundamentais para que pudesse manter sua saúde mental intacta em meio a rotina exaustiva de estudos e as preocupações com o pai.

“Quando a pessoa recebe a notícia de que está com câncer, ela acha que é uma sentença de morte, que não tem mais o que fazer, mas muitas vezes dá certo e a vida continua. As duas são pessoas que me apoiaram muito e se preocuparam com o meu emocional, sempre cuidando de mim e dando atenção. Quem realmente não me deixou desistir, depois da minha família, foram elas.” afirmou.

Sobre a USP, a estudante afirma que a universidade nunca foi seu foco e que sua aprovação veio como uma surpresa extra. Beatriz já está matriculada na Unicamp e conta que não tem grandes planos por agora, o que realmente quer é descansar e poder aproveitar todas as oportunidades que a faculdade trouxer.

Ao ser questionada sobre o estado de saúde de seu pai, ela afirma que ele ainda realiza um acompanhamento médico, mas que está bem, com aspecto saudável e muito ativo.

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