Foto: Divulgação/Polícia Federal

O superintendente regional da Polícia Federal na Bahia, Flávio Márcio Albergaria Silva, assinou uma nota pública de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A manifestação foi divulgada em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que teve um novo capítulo nesta quarta-feira (9), quando o presidente da Corte, Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre a cúpula da PF. Andrei e Almada permanecem nos cargos.

Ao todo, 24 superintendentes regionais da PF — de 23 estados e do Distrito Federal — assinam a manifestação. No texto, eles declaram “integral apoio e solidariedade” a Andrei e Almada e afirmam que ambos contam com a confiança dos chefes regionais da instituição.

Defesa da autonomia da PF

A nota também faz uma defesa da autonomia da Polícia Federal e afirma que a atuação da corporação não pode ser subordinada a interesses circunstanciais nem ser constrangida por disputas ou narrativas de natureza político-eleitoral. Os superintendentes dizem ainda que tentativas de interferência externa que comprometam a autonomia da PF, deslegitimem seus dirigentes ou prejudiquem o exercício de suas atribuições devem ser repelidas.

“Nosso apoio é inequívoco. Nossa defesa da Polícia Federal, inegociável”, afirma o documento. Ao final, os signatários reiteram confiança na condução da instituição por Andrei Rodrigues e dizem reconhecer o restabelecimento das condições necessárias ao pleno exercício das atribuições da PF.

Entenda o caso

Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram afastados na terça-feira por decisão de André Mendonça, que atendeu a um pedido do partido Novo. Mendonça, relator de processos relacionados ao caso Banco Master, afirmou ter sido monitorado ilegalmente durante o mês de agosto, com a produção de ao menos seis relatórios de inteligência.

A controvérsia ganhou força após Alexandre de Moraes tornar público um desses documentos. Com base no relatório, Moraes afirmou que Mendonça estaria cometendo abusos de autoridade ao direcionar, como relator, investigações da Operação Compliance Zero. O documento sugeria possível direcionamento das investigações do caso Master contra desafetos políticos de Mendonça.

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Na manhã desta quarta-feira, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Almada. Entre os argumentos, afirmou que o Novo não tinha legitimidade para pedir medidas cautelares em uma investigação criminal e apontou risco de prejuízo à continuidade de investigações e dos trabalhos da Polícia Federal com a mudança abrupta na direção da instituição. Dino também afirmou que Mendonça teria agido “em causa própria” ao determinar o afastamento.

No fim da tarde, Fachin interveio no impasse e suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino. Com a suspensão do afastamento determinado por Mendonça, Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem à frente de suas funções enquanto a controvérsia segue em análise no Supremo.

A manifestação dos superintendentes amplia a reação interna da PF ao episódio. Na terça-feira, 11 diretores da corporação já haviam divulgado uma carta de apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada e colocado seus cargos à disposição após o afastamento.