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Hilton Couceiros é candidato a prefeito de ValençaFoto: Divulgacand</span>
Um candidato a prefeito de Valença, no baixo sul da Bahia, foi alvo de críticas após comparar o autismo a uma praga. Hilton Couceiros (Avante) participava de uma sabatina, na quarta-feira (18), quando usou o termo.
“Vocês já viram, vocês vão entender o seguinte… Hoje nós temos algumas escolas de Valença, como Apae, AMA, Pestalozzi com crianças com deficiência física e autista etc. Isso é muito preocupante porque fica parecendo que é… Como é que se dá o nome? Praga não, mas é mais ou menos isso. Está evoluindo demais isso”, disse o candidato na ocasião.
A declaração foi alvo de críticas nas redes sociais e chegou a ser rebatida por João Pedro, embaixador do autismo na Bahia. Depois, o representante da causa voltou a se pronunciar, e disse ter entendido que a fala do político foi tirada de contexto.
Diante da repercussão, Hilton publicou um vídeo, esclarecendo seu posicionamento nas redes sociais. Em texto compartilhado nesta quinta (19), ele disse que foi induzido a usar a palavra e que não concorda com tal comparação.
“Infelizmente, durante uma fala recente, ao tentar responder a uma pergunta, eu cometi uma falha”, admitiu, logo no início do texto compartilhado no Instagram.
“Utilizei um termo inadequado para me referir ao aumento de diagnósticos de autismo, o que gerou interpretações que não condizem jamais com o meu pensamento ou a minha postura. Foi um momento de falha na escolha das palavras, peço desculpas sinceras a todas as famílias, pessoas com autismo e a quem mais possa ter se sentido ofendido por tal equívoco”.
De acordo com ele, há pessoas tentando transformar o episódio em “politicagem”. Ele disputa a eleição com Jairo do BB (PDT), Jucelia Nascimento (Pode), Marcos Medrado (PV) e Valdemar da Conect (Solidariedade).
Kelé enfrenta Ação Popular e processo que pode deixá-lo inelegível nas vésperas das eleições em QueimadasFoto: Redes sociais</span>
O cenário político de Queimadas, na região sisaleira da Bahia, está marcado por incertezas na disputa para definir quem governará o município a partir de janeiro de 2025. Clementino José dos Santos Rodrigues (PT), conhecido como Kelé, enfrenta um processo de impugnação de sua candidatura à prefeitura após ser indicado para substituir Paulo Sérgio Brandão Carneiro, o Serginho, cuja candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral. Kelé é alvo de acusações de inelegibilidade e irregularidades em contratos com o município.
A impugnação foi apresentada pela coligação adversária que apoia o candidato a prefeito Ricardo Lopes (PSD). Segundo a coligação, Kelé não poderia concorrer porque é sócio e administrador de empresas que firmaram contratos com a Prefeitura de Queimadas nos seis meses anteriores à eleição, o que fere as regras eleitorais. Além disso, a coligação argumenta que a candidatura de Kelé não foi formalizada adequadamente, faltando documentos como a ata de substituição no sistema CANDEX, obrigatória para validar o registro.
Kelé, que conta com o apoio do grupo do atual prefeito André Andrade (PT), nega as acusações. Ele afirma que sua candidatura foi regularizada conforme a lei após o indeferimento de Serginho e sustenta que todos os documentos necessários foram entregues. Kelé também argumenta que, mesmo na ausência de algum documento, a lei permite sua inclusão até o final do processo. Sobre os contratos com o município, ele declara que todos foram firmados por meio de processos licitatórios regulares.
Além da impugnação eleitoral, Kelé é alvo de uma Ação Popular movida por vereadores de Queimadas, que apontam supostas irregularidades em processos licitatórios. A ação alega que Kelé e suas empresas teriam sido favorecidos por conluios com agentes públicos, incluindo seu sobrinho, José Ariel Rodrigues de Oliveira, ex-secretário de infraestrutura do município. Segundo o processo, Kelé omitiu informações sobre vínculos familiares com servidores públicos, o que violaria princípios da administração pública. Os vereadores pedem a anulação dos contratos e a devolução dos valores envolvidos.
Em meio a esse cenário de indefinição, um debate entre Kelé e Ricardo Lopes teve que ser suspenso duas vezes, já que Kelé ainda não é oficialmente candidato, refletindo a instabilidade do momento.
Com o prazo para substituição de candidatos encerrado na última segunda-feira (16), caso a Justiça Eleitoral de Queimadas indefira a candidatura de Kelé, ele poderá recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e, posteriormente, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo é cercado de incertezas, pois recursos e decisões judiciais podem se prolongar, afetando a estabilidade política e administrativa da cidade. Durante o período de recurso, Kelé poderá continuar em campanha e ter seu nome nas urnas até a decisão final. Se o indeferimento for confirmado, ele será declarado inelegível e seus votos serão anulados.
Caruru de São Cosme e Damião: Tradição em homenagem aos santos protetores das crianças e dos gêmeosFoto: Tatá Ricardo</span>
O tradicional caruru de São Cosme e Damião foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial da Bahia. A aprovação unânime pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) garantiu o registro, que será publicado no Diário Oficial do Estado em 27 de setembro, dia em que os irmãos santos, considerados protetores das crianças, dos gêmeos e padroeiros dos médicos, são homenageados.
Celebrado durante todo o mês de setembro, o caruru é oferecido em homenagem a santos católicos e orixás do candomblé. O prato, preparado com quiabo, camarão seco e azeite de dendê, é servido inicialmente às crianças em um ritual conhecido como ‘caruru de sete meninos’. De acordo com a tradição, quem encontra um quiabo inteiro no prato deve preparar o caruru no ano seguinte.
Emocionado com a aprovação, Táta Ricardo, presidente da Câmara de Patrimônio e autor do processo de patrimonialização, destacou a importância do reconhecimento oficial. “O princípio do patrimônio é de fato pertencimento, a gente não aprende na academia, na universidade… patrimônio é algo que a gente herda”, afirmou. Ele ressaltou que o caruru de São Cosme e Damião é uma das maiores manifestações populares de origem sacra da Bahia, preservada por pessoas, famílias e comunidades religiosas e culturais em todo o estado.
Criado em 1967, o CEC é um órgão que contribui para a formulação de políticas culturais na Bahia, atuando na análise e registro de patrimônios imateriais e tombamentos de bens materiais.
Bahia tem o 2º maior aumento de bovinos do país e chega a 13,3 milhões de cabeças, aponta IBGEFoto: Freepik</span>
A Bahia registrou o segundo maior aumento absoluto no número de bovinos entre os estados brasileiros entre 2022 e 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rebanho bovino do estado cresceu de 12,5 milhões para 13,3 milhões de animais, um aumento de 6,1%, o que equivale a 764,5 mil cabeças a mais. Esse crescimento só foi superado pelo Paraná, que teve um acréscimo de 822,7 mil bovinos no mesmo período.
De acordo com o IBGE, com esse crescimento, a Bahia alcançou o maior número de bovinos em 49 anos da série histórica da Pesquisa da Produção Pecuária Municipal (PPM), iniciada em 1974. Esse foi o terceiro ano consecutivo de aumento do rebanho no estado, que manteve a 7ª posição no ranking nacional, respondendo por 5,6% do total brasileiro, que somou 238,6 milhões de cabeças, um crescimento de 1,6% em relação a 2022.
O levantamento do IBGE mostra que, entre os municípios baianos, Santa Rita de Cássia passou a liderar o rebanho estadual em 2023, com 188,4 mil cabeças. O município, que ocupava a 4ª posição em 2022, teve um crescimento de 26,7% em um ano. Itamaraju, que liderava anteriormente, caiu para o 2º lugar, com 183,2 mil animais, enquanto Itanhém desceu do 2º para o 3º lugar, com 169 mil bovinos.
Ainda conforme o IBGE, o maior crescimento proporcional no rebanho ocorreu em Santa Terezinha, que aumentou de 23 mil para 95,1 mil bovinos, um salto de 312,9%, o que representa mais 72,1 mil cabeças em um ano. Com esse crescimento expressivo, o município subiu do 170º para o 29º lugar no ranking estadual.
Rebanhos de ovinos e caprinos na Bahia crescem e se mantêm como os maiores do país, aponta IBGEFoto: Freepik</span>
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2022 e 2023, a Bahia registrou os maiores crescimentos absolutos nos rebanhos de ovinos e caprinos do país. O estado adicionou 345,1 mil ovinos (ovelhas, carneiros e borregos), um aumento de 7,4%, e 217 mil caprinos (bodes, cabras e cabritos), o que representa um crescimento de 5,8%. Esses resultados marcam o segundo ano consecutivo de alta nos efetivos de ambos os rebanhos.
Com esses avanços, a Bahia manteve a liderança nacional na criação, totalizando 5 milhões de ovinos e 4 milhões de caprinos em 2023, segundo o IBGE. O estado responde por 23% dos 21,8 milhões de ovinos e 30,7% dos 12,9 milhões de caprinos do Brasil. O número de ovinos no estado também alcançou um novo recorde, superando a marca anterior registrada em 2020 na série histórica da Pesquisa da Produção Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo IBGE.
O município de Casa Nova se destacou no cenário nacional, com os maiores rebanhos de ovinos (658,5 mil) e caprinos (725,1 mil) do Brasil, de acordo com o IBGE. A Bahia também concentra os três maiores rebanhos de ovinos do país, com Juazeiro ocupando o segundo lugar (388,3 mil) e Remanso o terceiro (378,3 mil).
No caso dos caprinos, Juazeiro aparece em segundo lugar na Bahia e em terceiro no ranking nacional, com 371,2 mil cabeças, enquanto Curaçá figura com o terceiro maior efetivo baiano e o quarto do país, com 338,3 mil animais.
Ainda segundo o IBGE, Remanso teve o maior crescimento do rebanho de ovinos do país entre 2022 e 2023, ganhando 56,5 mil cabeças (+17,5%), o que levou o município da 5ª para a 3ª posição nacional. Já para os caprinos, Casa Nova registrou o maior aumento do estado e o segundo maior do Brasil, adicionando 35 mil cabeças (+5,1%). O município que liderou o crescimento de caprinos no país foi Floresta, em Pernambuco, com um aumento de 66,2 mil cabeças no mesmo período.
Câmera flagra o momento em que celular explode no bolso de homem em Feira de SantanaFoto: Redes sociais</span>
Um celular explodiu no bolso de um homem enquanto ele limpava uma calçada em Feira de Santana. Em um vídeo feito pela câmera de segurança da rua, é possível ver o momento em que o celular pega fogo. Ele teve queimaduras superficiais.
Nas imagens é possível ver que fumaça saiu do short do homem. Desesperado, ele tirou a peça e, segundos depois, o aparelho explodiu.
O bolso onde o celular estava ficou queimado, assim como a blusa. O aparelho ficou totalmente destruído.
Short do homem após o acidenteFoto: Redes sociais</span>
Segundo o professor e doutor em Engenharia Elétrica, José Renes, situações como essa são raras. Apesar disso, existem alguns cuidados que podem ser tomados para evitar acidentes desse tipo.
“É preciso tomar cuidado ao comprar equipamentos como celulares, notebooks ou eletrodomésticos que usem baterias. É preciso evitar aquecimentos”, explicou.
Além disso, o professor deu algumas dicas para evitar este tipo de acidente, como:
📱 se afastar ao perceber que o aparelho esquentou;
📱 comprar aparelhos com garantia;
📱 não comprar equipamentos de segunda linha;
📱 usar carregadores confiáveis;
📱 evitar dormir com o celular carregando próximo da cama.
Produção de ovos de galinha na Bahia atinge maior nível em 49 anos, diz IBGEFoto: Freepik</span>
A produção de ovos de galinha na Bahia alcançou 122,6 milhões de dúzias em 2023, registrando o maior volume em 49 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento marca o quarto ano consecutivo de alta na produção, conforme a série histórica da Pesquisa da Produção Pecuária Municipal (PPM), iniciada em 1974. O aumento em relação a 2022 foi de 1,3%, o que representa um acréscimo de 1,6 milhão de dúzias.
Segundo o IBGE, os municípios baianos que mais se destacaram na produção de ovos foram Eunápolis, com 24,2 milhões de dúzias; Barreiras, com 13,9 milhões; e Entre Rios, com 10 milhões de dúzias. Eunápolis apresentou o maior crescimento absoluto, passando de 23,2 milhões de dúzias em 2021 para 24,2 milhões em 2023, um avanço de 4,2%.
Apesar do crescimento expressivo, a Bahia ocupa a 11ª posição entre os maiores produtores de ovos do Brasil, sendo responsável por 2,5% das 5 bilhões de dúzias produzidas no país em 2023, conforme o IBGE. No mesmo período, o valor da produção de ovos na Bahia aumentou 11,3%, chegando a R$ 815,6 milhões.
O IBGE destacou que o aumento no valor da produção de ovos compensou as quedas registradas nos valores de produção de leite e mel, tornando-se o principal fator para o crescimento geral do valor da pecuária na Bahia entre 2022 e 2023.
IBGE aponta redução na produção de leite e mel na Bahia em 2023Foto: Freepik</span>
Em 2023, a produção de leite e mel na Bahia apresentou queda em relação ao ano anterior, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção de leite no estado recuou 0,7%, totalizando 1,267 bilhão de litros, o que representa uma redução de 9 milhões de litros em comparação com 2022. De acordo com o IBGE, o valor da produção também teve uma leve queda de 0,04%, alcançando R$ 2,4 bilhões.
Segundo o IBGE, a produtividade caiu pelo terceiro ano consecutivo, passando de 1,32 mil litros por vaca ordenhada em 2022 para 1,31 mil litros em 2023, uma redução de 1,1%. O número de vacas ordenhadas teve um aumento de 0,4%, chegando a 969,7 mil. No entanto, a produtividade no estado ainda é inferior à média nacional, que é de 2,26 mil litros por vaca, e muito abaixo do Rio Grande do Sul, que lidera com 3,94 mil litros por vaca.
Os municípios baianos que mais se destacaram na produção de leite em 2023 foram Itarantim (46,7 milhões de litros), Medeiros Neto (32,2 milhões) e Jaborandi (30 milhões), de acordo com o IBGE.
A produção de mel na Bahia também registrou queda de 5,1%, passando de 5 mil toneladas em 2022 para 4,8 mil toneladas em 2023, o que representa uma diminuição de 254 toneladas, segundo o IBGE. Com essa redução, a Bahia caiu da 6ª para a 7ª posição entre os maiores produtores de mel do Brasil, respondendo por 7,4% das 64,2 mil toneladas produzidas no país, que teve um crescimento de 2,7% no mesmo período. O valor da produção de mel no estado também recuou 17,7%, totalizando R$ 55,2 milhões.
Os principais municípios baianos produtores de mel em 2023, conforme o IBGE, foram Campo Alegre de Lourdes (652 toneladas), que é o 10º maior produtor do Brasil, Jeremoabo (420 toneladas), o 12º maior, e Ribeira do Pombal (244 toneladas), o 28º maior do país.
Foto mostra operação da PF para destruir dragas de garimpo ilegal no interior do AmazonasFoto: Divulgação/PF</span>
As medidas adotadas pelo Brasil em 2023 para controlar o comércio de ouro e combater a extração ilegal surtiram efeito: o mercado do ouro brasileiro não é mais o mesmo e a produção registrada pelos garimpos despencou 84%.
É o que mostra o estudo “Ouro em Choque: medidas que abalaram o mercado”, que acaba de ser lançado pelo Instituto Escolhas e traz um balanço sobre o impacto das mudanças nas regras do comércio de ouro.
Duas medidas tiverem efeitos significativos e imediatos no mercado: a obrigatoriedade de notas fiscais eletrônicas e o fim do pressuposto da boa-fé, ambas voltadas para as transações com o ouro do garimpo.
Prova disso é que, em 2022, os garimpos registraram uma produção de 31 toneladas de ouro. Em 2023, logo após as mudanças, o volume caiu para 17 toneladas (redução de 45%). Entre janeiro e julho de 2024, o volume de produção dos garimpos já é 84% menor do que o registrado no mesmo período em 2022.
Presunção de boa-fé: uma lei sancionada em 2013 permitia que ouro fosse comercializado apenas com base nas informações dos vendedores, sob presunção de boa-fé. No entanto, em abril 2023, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da presunção da boa-fé no comércio de ouro.
Mais de 70% da queda na produção de ouro dos garimpos em 2023 foi registrada no Pará. Entre janeiro e julho de 2024, o recuo na produção garimpeira do estado já é de 98% em comparação com o mesmo período de 2022.
O efeito das medidas adotadas também foi sentido nas exportações brasileiras de ouro. Em 2023, elas diminuíram 29% e, entre janeiro e julho de 2024, o volume exportado foi 35% menor do que o registrado no mesmo período em 2022.
Em 2023, os estados que registraram a maior queda nas exportações de ouro foram São Paulo – que não produz ouro, mas escoa o metal de garimpos na Amazônia – e Mato Grosso – onde predomina a extração por garimpos.
Em relação ao destino, chama a atenção a queda nas exportações para Índia, Emirados Árabes Unidos e Bélgica, que, juntos, deixaram de comprar 18 toneladas de ouro, principalmente de São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
“Com a adoção de medidas de controle onde, sabidamente, há indícios de ilegalidade, o mercado encolheu mesmo com o alto preço do ouro. Isso significa que portas foram fechadas para o ouro ilegal. Se, antes, o metal era facilmente ‘esquentado’ e exportado como ‘legal’, agora a história mudou e aumentaram os custos e o risco das operações ilícitas”, afirma Larissa Rodrigues, diretora de pesquisa do Instituto Escolhas.
Segundo Rodrigues, apesar de importantes, esses são apenas os primeiros passos. Há muito trabalho a ser feito até a completa transformação do setor.
“Combater a extração ilegal deve ser uma prioridade, porque ela provoca danos ambientais e sociais enormes e de difícil reversão”, ressalta.
Entre os próximos passos sugeridos pelo estudo do Escolhas, está a obrigatoriedade da transformação das operações garimpeiras que atingem determinado patamar de valor de produção em empresas de mineração, o que permitiria melhores condições para lidar adequadamente com as obrigações sociais e ambientais.
Baiana de Feira de Santana venceu concurso Miss Universo Itália 2024Foto: Reprodução/Redes Sociais</span>
A baiana Glelany Cavalcante venceu o Miss Universo Itália na noite de quarta-feira (18). Com isso, ela vai representar o país europeu no Miss Universo global.
Para chegar à final, a baiana de Feira de Santana, cidade a cerca de 100 km de Salvador, desfilou com roupa de gala e fantasia. Ela desfilou a última etapa com outras 21 candidatas, chegando à reta final contra Gilda Folcia e Marika Nardozi.
A modelo também foi entrevistada pelo júri e, para este momento, escolheu usar uma camiseta com uma frase da ativista feminista e poetisa Audre Lorde: “Até que todos sejam livres, nenhum de nós o será, mesmo que as suas correntes sejam diferentes das minhas”.
Glelany defendeu a solidariedade interseccional, pedindo atenção para as diferentes experiências de opressão, como racismo, sexismo, homofobia e outras.
Pouco dinheiro e um sonho: ser modelo na Europa
Glelany saiu do Brasil em 2015 com 200 euros na conta bancária e um sonho: ser modelo na Europa. O valor, na cotação atual da moeda, é de cerca de R$ 1,2 mil. Passados 10 anos, ela conquistou o título de Miss Universo Itália — o concurso escolhe, dentre 44 candidatas, quem vai representar o país no Miss Universo.
Em entrevista ao g1, a candidata contou como foi parar na Europa e por que pôde participar do concurso mesmo sem ter nascido na Itália.
A modelo nasceu e cresceu em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. De família humilde e filha de pais divorciados, ela se mudou para Brasília aos 13 anos, para morar com o pai. Foi andando em um shopping da capital do Brasil, com 15 anos, que a baiana foi descoberta por uma agência de modelos.
“Fiquei muito receosa, ser modelo não fazia parte dos meus objetivos e eu tinha uma autoestima muito baixa. Mesmo assim, resolvi tentar como uma brincadeira”, contou.
Glelany nunca tinha sonhado em ser modelo. Sofreu bullying na escola, na infância, e teve transtornos alimentares na pré-adolescência. A baiana nunca considerou a possibilidade de estrelar publicidades de moda e desfilar nas passarelas.
Mesmo assustada com o convite, ela decidiu tentar. A primeira sessão de fotos e o curso preparatório de modelo foram pagos com o dinheiro arrecadado em um churrasco da família.
“Comecei a me sentir mais segura, literalmente desabrochei e descobri ali uma paixão”, contou. O investimento deu certo e Glelany ficou em segundo do lugar no primeiro concurso que participou, o Miss Distrito Federal, em 2012, quando tinha apenas 18 anos.
Carreira na Europa
No início da vida adulta, Glelany deixou um pouco o sonho de ser modelo de lado para se dedicar à faculdade de Direito. Ela estudava durante o dia e trabalhava como recepcionista em um hospital de Brasília, até que um outro passeio pela cidade mudou a vida dela — mais uma vez.
“Uma agência de Milão pediu para ver algumas modelos de agências de Brasília e fui acompanhando uma amiga. Chegando lá, gostaram de mim”, contou.
O problema é que a baiana não estava nas medidas exigidas para a Semana de Moda de Milão. Os agenciadores combinaram que, caso ela conseguisse emagrecer em dois meses, a levariam para a Itália.
“Cheguei na Itália com 200 euros no bolso e um sonho”, brincou.
No país europeu, a baiana conquistou trabalhos com grandes empresas de moda e beleza. Uma das conquistas foi ter desfilado com o vestido com maior número cristais bordados a mão, um total de 5 mil. A peça faz parte do Guiness Book e levou mais de 200 horas de trabalho para ficar pronto.
Devido ao trabalho, a baiana decidiu ficar no país, onde já vive há nove anos. Ela conquistou a cidadania, porque além de ter descendência por parte dos bisavós paternos, se apaixonou e casou com um italiano.
Miss Universo Itália
Há poucos anos, o Miss Italia tinha algumas exigências para selecionar as candidatas. Mulheres casadas e com mais de 28 anos, por exemplo, estavam fora dos pré-requisitos. Por causa disso, Glelany já tinha considerado como impossível participar do concurso, até que tudo mudou em 2024.
“Pra mim, o papel da miss não é só o concurso da beleza, a beleza é só uma vitrine. A partir dela, podemos comunicar muitas coisas importantes, ser exemplo para muitas mulheres e meninas”, afirmou.
Por causa da cidadania, a brasileira está apta a concorrer. Apesar de morar em Marche, ela representa o estado da Sicília, conhecido pelas belíssimas praias e gastronomia.
Segundo Glelany, infelizmente houve comentários negativos nas redes sociais. Por um lado, os italianos reclamaram que ela não era italiana; por outro, brasileiros disseram que ela havia “renegado as origens”.
“Uma das pautas que eu trago comigo é combater a ignorância. A imigração faz parte da história da humanidade, a pluralidade cultural é uma riqueza. Trago toda a essência baiana que tenho junto com a italiana que adquiri aqui”, contou.
Para a modelo, que é conhecida no meio como “from Bahia”, concorrer ao título de Miss Universo Itália foi a consagração dos sonhos que ela buscava ao sair do Brasil. Agora ela disputa o Miss Universo global, cuja premiação será no dia 16 de novembro, no México.